Postado em 14/jun/2026

A programação do 46º Encontro Regional de Botânica (ERBOT), realizado em Viçosa entre os dias 25 e 29 de maio de 2026, foi marcada por uma mesa redonda sobre a Fisiologia do Estresse, que contou com cerca de 150 participantes. O painel, que uniu pesquisadores da Rede Mineira de Estresse em Plantas e do INCT FEP (financiados pela FAPEMIG e CNPq, respectivamente), trouxe um panorama abrangente sobre como as plantas respondem a desafios ambientais, desde a escala molecular até a recuperação de biomas degradados, com mediação do Dr. Adriano Nunes Nesi (Universidade Federal de Viçosa – UFV). A abertura trouxe uma questão central: “como as plantas vão lidar com as mudanças climáticas no viés da sustentabilidade de segurança alimentar?”. Ao longo das apresentações, foram abordados temas como genoma, nutrição, nanotecnologia e aspectos anatômicos e funcionais das plantas. Vale destacar que os resultados discutidos no encontro são frutos diretos das pesquisas desenvolvidas por esses dois projetos (REDE e INCT), que contam com o apoio financeiro da FAPEMIG e do CNPq, respectivamente. Ao final das exposições teóricas, o espaço foi aberto para o debate. O público participou ativamente, gerando uma rica discussão em que os participantes puderam fazer questionamentos e manifestar suas opiniões sobre a temática, consolidando o sucesso do painel no ERBOT.
O Dr. Lyderson Facio Viccini, da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), iniciou as palestras abordando sobre estudos com a espécie Lippia alba, uma planta autopoliploide cuja duplicação do genoma ao longo da evolução conferiu resistência a condições adversas. Além disso, também foi detalhado o comportamento da espécie em condições experimentais de estresse hídrico, salino e por alumínio. Por fim, o mesmo destacou sua participação na iniciativa internacional PLANeT, que utiliza genômica comparativa e inteligência artificial para mapear a diversidade genômica das plantas terrestres junto de diversos pesquisadores de diferentes instituições pelo mundo.

Em seguida, o Dr. Vitor de Laia Nascimento, da Universidade Federal de Lavras (UFLA), abordou a fenotipagem e caracterização fisiológica de espécies nativas voltadas para produção vegetal e restauração ecológica. Em experimentos com a espécie Schizolobium parahyba, popularmente conhecida pelas variedades Guapuruvu e Paricá, houve a constatação de que as duas variedades não apresentam sobreposição de ocorrência no bioma Cerrado, sugerindo diferenças ecológicas e adaptativas importantes.

O Dr. José Francisco de Carvalho Gonçalves, pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA), destacou o papel estratégico dos botânicos no planejamento e manejo de áreas degradadas, defendendo a ecofisiologia de árvores como uma abordagem chave no processo. Ainda, apresentou o projeto NANORADs (Nanobiotecnologia para Recuperação de Áreas Degradadas da Amazônia), sua recente renovação e perspectivas, além do novo Centro de Inovação Biotecnológica para Recuperação de Áreas Degradadas (CIBRAD), do qual é coordenador.

Encerrando a mesa redonda, o Dr. Agustin Zsögön, da Universidade Federal de Viçosa (UFV), discutiu aspectos anatômicos e funcionais de folhas homobáricas e heterobáricas, explorando como essas características conferem valor adaptativo às plantas ao longo dos diferentes estratos florestais.

A mesa redonda reforçou o compromisso do INCT-FEP e da Rede Mineira com a integração entre pesquisa básica e aplicada, promovendo o diálogo entre instituições brasileiras e a formação de recursos humanos para enfrentar os desafios da segurança alimentar e sustentabilidade ambiental perante as crescentes mudanças climáticas das últimas décadas. O sucesso da mesa redonda reafirma o compromisso dos pesquisadores com o avanço de soluções inovadoras para os desafios ambientais contemporâneos, fortalecendo a colaboração científica em rede.